quarta-feira, 15 de julho de 2009

Herança


Senhora do Rosário foi quem me trouxe aqui
Senhora do Rosário foi quem me trouxe aqui
A água do mar é boa
Eu vi, eu vi, eu vi...


Da mãe o nome e a madrinha
Do pai o humor e o ritmo
Da vó a narrativa e a magia
Do vô a força e a teimosia

Doutra vó a dureza
Do voinho a doçura
Das tias a alegria
Dos tios a tolerância

Perceber o que ficou...
da convivência com o outro
evitar cachorro brabo
saber o gosto da cana
sonhar com quem vai chegar
saber ouvir sem falar
escutar os passarinhos
cantar, cantar, cantar

Tudo são versos que escuto,
vêm dela,
pois minha mãe é minha voz

como será que isto era
este som
que hoje sim, gera sóis
dói em nós...



I´ve got
from my mother
the name and the godmother
from my father
the rythm and humour
from grandma, the magic and many narratives
from grandpa, the strenght and obstinacy

I´ve got
from the other grandma, the hardness
from the other grandpa, the sweetnes
from the aunts, the joy
from the uncles, the tolerance


To perceive what remained
from the living with each other
to avoid the mad dogs
to know from sugarcane, the flavour
to dream with the next visitor
to know how to talk without speak
listening to the birds
and to sing, sing, sing



A primeira estrofe em itálico é da canção popular mineira em louvor à padroeira dos escravos. A estrofe que fecha o texto é da canção Genipapo Absoluto, de Caetano Veloso.
Foto tirada na casa da dona Candinha.


2 comentários:

Daniel Figueiredo disse...

Olá Mary, como vai?
Vim agradecer pelo seu comentário, e desculpe a demora. Amoras me trazem as mesmas lembranças, até guerra de amoras eu fazia quando pequeno, hehehe era quase como brincar de paintball. Adoraria ter a receita do seu pão de ló de laranja.
Um beijo e obrigado novamente.

Mary Flower disse...

Obrigada pela visita, Daniel... adoro teu blog! A receita já enviei, espero que goste...
Beijo e queijo.