No assobio do pinhé
tem um alerta
e um chamado
Grito estridente
estremece
arrepia
Quem no solo
se vê
só, sem defesa
Vôo alto, leve,
correntes de ar quente
prenúncio de tempestade
Passarinhos ressabiados
ninhos a proteger
do predador e da chuva
Asas abertas
cabeça ereta
vôo rasante: a presa
O bico cortante,
na garra, o bicho
morto
Tufos de penas eriçadas
desaba a tempestade
mais nenhum pio
Carrapateiro, pequena ave
sinal na língua do pajé
cocar de pena rajada
Bela brutalidade
força da natureza
recordação
Pinhé grita,
respondo:
Aqui!
domingo, 7 de dezembro de 2008
Sina
Voz de mulher
de mãe
tambor na boca
doçura e força
Vozes confortando
a tragédia
Vozes se unindo
contra o caos
Organizando,
se armando
e amando
o ofício
Mulheres brabas
e gentis
Eleitas pelo céu
abençoadas com pulmões
e ar, entoando
Trazendo a paz
pra dentro de nós
Vozes em busca
de sentido...
sina de cantador
Vozes que tocam
Toques que voam
Vôo que chega
nos corações
Mulheres
quem duvida
do vosso poder?
No dia 06 de dezembro, num esforço para ajudar as vítimas das enchentes em Santa Catarina, realizou-se no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo, a Virada Cultural de Solidariedade, onde artistas se apresentaram e os ingressos eram doações para as comunidades atingidas. Assisti aos shows de Ceumar e Badi Assad e me atingiu em cheio a força destas duas mulheres. Aline, obrigada pela companhia.
de mãe
tambor na boca
doçura e força
Vozes confortando
a tragédia
Vozes se unindo
contra o caos
Organizando,
se armando
e amando
o ofício
Mulheres brabas
e gentis
Eleitas pelo céu
abençoadas com pulmões
e ar, entoando
Trazendo a paz
pra dentro de nós
Vozes em busca
de sentido...
sina de cantador
Vozes que tocam
Toques que voam
Vôo que chega
nos corações
Mulheres
quem duvida
do vosso poder?
No dia 06 de dezembro, num esforço para ajudar as vítimas das enchentes em Santa Catarina, realizou-se no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo, a Virada Cultural de Solidariedade, onde artistas se apresentaram e os ingressos eram doações para as comunidades atingidas. Assisti aos shows de Ceumar e Badi Assad e me atingiu em cheio a força destas duas mulheres. Aline, obrigada pela companhia.
segunda-feira, 24 de novembro de 2008
Guarani
Quando o vento vem rodar
Nas palhas, penas e folhas
Quando vem, carinho ligeiro
grudar poeira vermelha
nos cabelos, penas, pele
Com gaviões e urubus
a gente voa
É gente e voa
Quando o cheiro da chuva
levanta o cheiro da terra
embriaga o capinzal
Pés-de-conta pingam
brota água do barranco
a gente chapinha
Vira peixe e brilha
Se o vendaval seco bole
Se a chuva acende o brincar
O fogo, então, quem dirá?
Tupana alegre, se junta
com o velho e sábio avô
Ao pé do fogo cirandam
voz, histórias e lembranças
além do tempo e lugar
Tatá, o fogo, conhece
o que há prá conhecer
A gente acende por dentro
escuta a fala do Tempo
É brasa na escuridão
quinta-feira, 13 de novembro de 2008
Aos poucos
pérolas
que as quero
de volta no mar
cantos
que os desejo
sem nenhum pudor
rotas
que as invento
para sempre achar
cores
emprestadas tomo
só para compor
dúvida
tiro do bolso
pra me assegurar
dose
de atitude certa
para perceber
auto
de moléstia finda
pra revisitar
bonde
de história gasta
pra reconstruir
margem
de erro, mote
pra me distrair
sexta-feira, 31 de outubro de 2008
Vixe !
omáximo
assim juntinho
parece um orixá
as palavras
paisagens sonoras
em x
desenham-se
arcaicas
arcaicas
ancestrais
xamã
Xangô
Oxum
herança de preto
índio
caboco: mameluco
xaréu
xerém
oxente!
assim dizer
transporta
pro sertão
pras grotas
despenhadeiro
pro olho d'água, milagre
peixe
enxada
feixe
roçado novo
lenha na cabeça
sobre o pano enrodilhado
enxame
xará
examina
estrago que fez
abelha de ferrão brabo
doído que só
xixi
exame
Oxalá
me guarde
me leve
conhecer cidade grande
omáximo!
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
Faxina
Descobrindo os cantos escuros
tirando a poeira acumulada
no correr dos dias
Esfregando até limpar
tudo o que precisa
de água e cuidado
Abrindo a casa
pra Dona Maria entrar
aquela que zela
Colocando flor no vaso
vaso no canto
pedra em redor
Doando tudo
o que já não servia
e esperava novo dono
Preparando a casa
a comida, o aconchego
com carinho redobrado
Pra vencer o tempo
que corrói as coisas
pra abrir espaço
Que o novo chega
com esperança e brilho
quando a gente brota
Primavera flor
perfumado fruto
louvação de lar
quarta-feira, 22 de outubro de 2008
Paisagem
Quando a gente se lança
no vazio
Parece que nunca mais
acaba de cair
Sonho recorrente
de quando se está crescendo
caindo... caindo...
sem fim
Após a queda
só o chão
"Do chão não passa..."
como se diz por aí
E o chão, era de se esperar
dura realidade
mas apara
ampara o sonhador
Quando a gente se lança
com propósito certo
ao descer, sorve a paisagem
ao cair, atinge o alvo
Do chão não passa...
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