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quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Paisagem


Quando a gente se lança
no vazio

Parece que nunca mais
acaba
de cair

Sonho recorrente

de quando se está crescendo

caindo... caindo...

sem fim

Após a queda

só o chão

"Do chão não passa..."

como se diz por aí

E o chão, era de se esperar

dura realidade

mas apara

ampara o sonhador

Quando a gente se lança

com propósito certo

ao descer, sorve a paisagem

ao cair, atinge o alvo


Do chão não passa...

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Instalação

Como sugestão de suporte, vejamos:
Temos o céu com todas as estrelas...
O chão com todos seus minerais...
Uma montanha...
Uma lagoa...
Um prédio com nome de gigante...
Uma praça onde os mendigos dormem...
Uma igreja onde ninguém entra...
O local onde os jovens morreram...
A casa onde os velhos vivem...

Possibilidades infinitas

pra quem sabe ser

Artista


Para aqueles que não se deixam limitar pelo convencional...

As a support suggestion, let us see:
We have the sky with all the stars…
the soil with all its minerals…
a mountain…
a lagoon… a
building with giant name…
a square where the homeless sleep…
a church where nobody enters…
the place where the young had died…
the house where the old ones live…
Infinite possibilities for
who knows to be
an artist

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Inverno na aldeia


As folhas não cessam de cair
Na Vila onde nasci
Medito enquanto varro
Folhas secas por aqui

Pra onde vão as folhas
Quem as leva, afinal?
Antigamente as queimava
No chão liso do quintal

A fumaça subia alto
Defumando tudo ao redor
Cheiro de folha, de mato
De aldeia, de pisadô

Os animais se afastavam
No monte, carvão e brasa
As crianças cutucavam
Vagalumes pelo ar

A fogueira era a extensão
Do fogão de lenha da Vó
Cheiro bom, casa quentinha
Sabão de cinza, sem pó


A brincar, fumávamos
pitos de palha, doces
A Vó se ria, cúmplice
Das nossas artes, das tosses

Também era Vó que ajudava
A criar nosso fogão
Com tijolos, galhos secos
Nossa cozinha no chão

Para onde foi a Vó,
como a fumaça, subindo?
Pra onde a nossa inocência,
Cachorros, terra, sumindo?

Hoje nada mais se pode
Nem fogaréu ou fogão
Nem pitar, brasa, fogueira
Nem inventar, nem balão

Quero um viver mais alegre
"Do que este que nos dão"
Brincar com água sem pressa
Fazer bolhas de sabão

De terra, água, ar e fogo

Nosso viver era feito
Quero que nossas crianças
Possam ter esse direito

Pra Vó Maria da Paz, minha saudade.
Luiz Gonzaga tocava no rádio: "Sala de Reboco", de onde vem a frase entre aspas.