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sexta-feira, 9 de julho de 2010

Bispo



O poeta é um fingidor...

Definitivamente.
Dilacerado, ainda sangrando, finge.
Risonho e franco, ensolarado, finge.
Embriagado de sua importância, finge...

Perdido no tiroteio, ainda assim,
com pompa e circunstância,
finge que está só de passagem,
nas mãos o caderno de anotações.

A linha que divide o real do imaginário,
o mundo paralelo, onde reina,
é tão tênue quanto a máscara
que insiste em portar.

O poeta não engana ninguém,
a não ser a si próprio,
com seu paletó invisível
que só alguns podem ver...

Com a flor na lapela inexistente,
espalha seu perfume por aí,
indiferente aos cáusticos
e aos sonolentos.

Seu delírio é tamanho,
que Vê.

Finge tão completamente,
que chega a pensar que é dor,
a dor que deveras, sente.

A citação é de Carlos Drummond de Andrade, para quem uma pedra não é só uma pedra.
O Rei está nu é um conto inspirador.
Arthur Bispo do Rosário criou sobre a dor, o desprezo e a ignorância, uma roupa pra ver Deus.





quinta-feira, 21 de maio de 2009

O retrato do Artista


"O retrato do artista quando moço
não é promissora, cândida pintura
É a figura do larápio rastaquera
Numa foto que não era para a capa"

A idéia me veio

enquanto picava a escarola
uma vontade louca
de me intitular Artista
Dizer: _ Nós, os artistas...
como nunca ousei

Que artista é Chico Buarque,
E Adélia Prado, Manuel de Barros,
todos os mestres, sabedores
do ritmo que as palavras guardam,
de seus segredos...

Artistas da fome, Kafkas,
artistas do pincel
e da caneta tinteiro,
do carvão e do rio

Vontade de dizer à edilidade
umas verdades
De ser Artista e pronto
sem medo
Cantando e inventando
um novo bailado

_ A velhinha enlouqueceu!
_ A escarola vai queimar!
Eu, dançando, cantando
e pintando e bordando,
como querem Baco e Deus


O Retrato do Artista quando Coisa é o livro de Manuel de Barros, que abriu o jorro...
A foto da capa é a música de Chico Buarque que abre o texto e não me sai da cabeça... encontrada no álbum Paratodos.
O Artista da Fome é um livro de Kafka, que li faz muito tempo...

O Ale Artista fez uns desenhos duca com caneta tinteiro...
Escarola refogada com azeite, alho e tomate é bão demais, sô!

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Instalação

Como sugestão de suporte, vejamos:
Temos o céu com todas as estrelas...
O chão com todos seus minerais...
Uma montanha...
Uma lagoa...
Um prédio com nome de gigante...
Uma praça onde os mendigos dormem...
Uma igreja onde ninguém entra...
O local onde os jovens morreram...
A casa onde os velhos vivem...

Possibilidades infinitas

pra quem sabe ser

Artista


Para aqueles que não se deixam limitar pelo convencional...

As a support suggestion, let us see:
We have the sky with all the stars…
the soil with all its minerals…
a mountain…
a lagoon… a
building with giant name…
a square where the homeless sleep…
a church where nobody enters…
the place where the young had died…
the house where the old ones live…
Infinite possibilities for
who knows to be
an artist

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Ficção

Escorre sangue da mão do poeta
A tinta secou na mão do artista
Amargas são as palavras
Não há outras, todavia

Andar desencontrado
Olho de raio de sol
Cegueira por um instante

Um sóbrio, outro embriagado

Falam de tudo e nada
nada sobra do que dizem
O que não é dito se troca
rapidez, desenho e letra


O sangue pelo carvão
Abraço que não se dá
Cadernos, papéis trocados
Silêncio na escuridão


O mundo precisa dos poetas e dos artistas.
Alguém tem que sonhar...