Definitivamente.
Dilacerado, ainda sangrando, finge.
Risonho e franco, ensolarado, finge.
Embriagado de sua importância, finge...
Perdido no tiroteio, ainda assim,
com pompa e circunstância,
finge que está só de passagem,
nas mãos o caderno de anotações.
A linha que divide o real do imaginário,
o mundo paralelo, onde reina,
é tão tênue quanto a máscara
que insiste em portar.
O poeta não engana ninguém,
a não ser a si próprio,
com seu paletó invisível
que só alguns podem ver...
Com a flor na lapela inexistente,
espalha seu perfume por aí,
indiferente aos cáusticos
e aos sonolentos.
Seu delírio é tamanho,
que Vê.
Finge tão completamente,
que chega a pensar que é dor,
a dor que deveras, sente.
A citação é de Carlos Drummond de Andrade, para quem uma pedra não é só uma pedra.
O Rei está nu é um conto inspirador.
Arthur Bispo do Rosário criou sobre a dor, o desprezo e a ignorância, uma roupa pra ver Deus.