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quinta-feira, 21 de maio de 2009

O retrato do Artista


"O retrato do artista quando moço
não é promissora, cândida pintura
É a figura do larápio rastaquera
Numa foto que não era para a capa"

A idéia me veio

enquanto picava a escarola
uma vontade louca
de me intitular Artista
Dizer: _ Nós, os artistas...
como nunca ousei

Que artista é Chico Buarque,
E Adélia Prado, Manuel de Barros,
todos os mestres, sabedores
do ritmo que as palavras guardam,
de seus segredos...

Artistas da fome, Kafkas,
artistas do pincel
e da caneta tinteiro,
do carvão e do rio

Vontade de dizer à edilidade
umas verdades
De ser Artista e pronto
sem medo
Cantando e inventando
um novo bailado

_ A velhinha enlouqueceu!
_ A escarola vai queimar!
Eu, dançando, cantando
e pintando e bordando,
como querem Baco e Deus


O Retrato do Artista quando Coisa é o livro de Manuel de Barros, que abriu o jorro...
A foto da capa é a música de Chico Buarque que abre o texto e não me sai da cabeça... encontrada no álbum Paratodos.
O Artista da Fome é um livro de Kafka, que li faz muito tempo...

O Ale Artista fez uns desenhos duca com caneta tinteiro...
Escarola refogada com azeite, alho e tomate é bão demais, sô!

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Verde


O sinal
luminoso
já não dá passagem

O silêncio impera
onde antes
a música se ouvia

O tímpano arde
com os sons urbanos

Repetidos,
repetidos

Já não se sabe
se ouviu ou não

Um grito
um sussurro,
um piado

Quer saber?
Só perguntando...

o máximo que se ganha
é o silêncio
ou um não.



A foto é do Cauê.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Quando

Revelação
se dá
quando
no silêncio
grita
muda
uma Verdade

Poesia
se dá
quando
aparece
ilesa e nua
a carne
da Palavra

Canção
se dá
quando
a ousadia
rompe o ar
vibrando Som

Gorjeio
se dá
quando
distraído
o Pássaro
assovia

Anseio
se dá
quando
o murmúrio
cego
cambaleia

Desejo
se dá
quando
não cabe
no corpo
essa Vontade

Amor
se dá
quando
a Morte
não faz mais
que companhia

Fatalidade
se dá
quando
o inevitável
atropela o Tempo

Sonho
se dá
sempre
que se permite
o Possível
A aquarela mostra um guerreiro, com a pintura tradicional do seu povo, que vai do rosto até os pés. Nos ritos de passagem, u
tilizavam garras de onça para a escarificação e jenipapo, para colorir e cicatrizar. Realizá-la foi uma jornada de introspecção e de diálogo com a água. Está no livro "O Sinal do Pajé", da Editora Peirópolis.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Religare


"Om mane padme hum
Om mane padme hum
Om mane padme hum
Om mane padme hum"

Toda ilusão,

Maia,
leva à dor
Toda dor
leva ao sofrimento

O Caminho,
Tao,
inicia-se
em quem se põe
a caminhar

Toda entidade,

Nagual,
ronda entre
o doente e o peregrino

O som,

OM,
origina todas as coisas
soprando-lhes vida: alento

A fé,

Deus,
desfaz os nós,
remove montanhas

O Pai,

Tupana,
olha seus filhos
e se entristece

A Mãe,

Oxum,
lava seus filhos
e agradece

Todos os

Encantados
dançam
no igarapé

Jesuína se ri,

divertida,
Assim seja.

O mantra que inicia este texto é um poderoso veículo de transformação.
O Nagual faz parte da tradição indígena norte-americana, citado nos livros de Carlos Castañeda.
Tupana corresponde a Tupã, entre os Saterê-Mawé.
Jesuína é uma personagem brasileira da tradição oral.