Escolher entre a cruz e a espada...
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
Língua
Escolher entre a cruz e a espada...
sábado, 5 de dezembro de 2009
Brasileiro de Almeida
Foi Antonio Brasileiro
quem soprou esta toada
que cobri de redondilhas
pra cumprir minha jornada
e com a vista enevoada
pelo inferno e maravilhas...
Mestre Antonio escreveu sobre a casa
cantou também os urubus e outros pássaros
nos deu as canções mais lindas
de ouro e marfim
Amou os animais
e plantas
e crianças
e todas as mulheres do mundo
Amou sobretudo a musa
a música
o que a voz entoa
e o instrumento ecoa
Nos deixou de presente
tudo quanto é lindo
a sabiá, a roseira,
o rio, o Rio...
O pato preto, o camiranga,
em melodias tão lindas
que dá vontade de chorar...
ou Borzeguim, de dançar
Com Maria Luiza,
com Elis,
com Miucha
e seu coral de vozes límpidas
O piano inesquecível
O charuto, o chapéu,
A prosa solta, sem pressa,
Como quem desata nós
Se fizer bom tempo amanhã,
como diria o baiano,
Eu vou, Mestre Jobim.
Mas se, por exemplo, chover...
As frases em itálico são, respectivamente, de Chico Buarque, Gilberto Gil e Dorival Caymmi.
Antonio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim, o maestro soberano, tinha um humor afiadíssimo. Certa vez plantou tinhorão na entrada da sua casa, pra provocar o crítico José Ramos Tinhorão, que o atacava constantemente. Diz a lenda que, ao voltar do bar, antes de entrar em casa, aguava as tais plantinhas...
A foto é da Regina, a mana quase alemã...
domingo, 7 de dezembro de 2008
Sina
de mãe
tambor na boca
doçura e força
Vozes confortando
a tragédia
Vozes se unindo
contra o caos
Organizando,
se armando
e amando
o ofício
Mulheres brabas
e gentis
Eleitas pelo céu
abençoadas com pulmões
e ar, entoando
Trazendo a paz
pra dentro de nós
Vozes em busca
de sentido...
sina de cantador
Vozes que tocam
Toques que voam
Vôo que chega
nos corações
Mulheres
quem duvida
do vosso poder?
No dia 06 de dezembro, num esforço para ajudar as vítimas das enchentes em Santa Catarina, realizou-se no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo, a Virada Cultural de Solidariedade, onde artistas se apresentaram e os ingressos eram doações para as comunidades atingidas. Assisti aos shows de Ceumar e Badi Assad e me atingiu em cheio a força destas duas mulheres. Aline, obrigada pela companhia.
domingo, 7 de setembro de 2008
Depoimento
Atendeste bem cedo ao chamado da ancestralidade
Já era escolhido, já ouvia
O que outros não
Voz doce, voz mãe, voz brejeira
Foi temperando pela vida afora
Ouvindo rádio
Deu peso e cor, experimentou, tocou, tocou...
Ainda se diverte feito menino
Quando arrebenta corda de violão
E consegue trocar enquanto canta
Fica intrigado quando faz chorar (e sempre faz)
Aos homens e mulheres
Tem saudade das ruas de terra
Terras distantes
Saudades de sei lá.
É índio
É preto
É sinhozinho e não é.
Tem proteção, viu, menino?
N.Sra. do Rosário dos Homens Pretos,
São Benedito, Santo Antoninho,
Santos do candomblé,
Nhanderu, Tupã, Ceuci,
Encantados da floresta,
Clã dos Pássaros,
Todos Erês,
Cosme, Damião, Doun
E Espíritos guardiães.
A voz
Cuida dela
É a chave.
Agradece
A graça, o presente, o benefício
De ser luz para muita escuridão
E usa a escuridão que há
Porque tudo vibra
Tudo gera (Eh, Minas!)
Sê feliz!
Este depoimento, escrito faz tempo para o pai do Antonio, chegou até ele no momento certo e nos tornou amigos. A fala da alma é sempre verdadeira.
quarta-feira, 16 de julho de 2008
Instrumento
Renato Braz é um intérprete de primeira. Seu repertório é brasileiro e já o levou para o outro lado do mundo. Expressa sua origem no que escolhe para cantar. Adoro sua voz . Suas vozes...
sexta-feira, 27 de junho de 2008
Intento
Se me dedico
a desenhar, desenho
Se me ponho a entoar,
canto
tomo dos instrumentos
faço minhas armas
lido com medos, processos,
segredos
se estruturo em barro,
carvão ou giz
me preservo, me tranco
me abro ou observo
já pintei com lágrimas
saliva, sangue
já esfreguei terra, folhas, sumos
já lavei aquarelas
afim de esquecer
entornei cafés
engoli fumaça
cortei lascas, farpas, pontas
entortei metais
Doí, sarei,
Surtei, perdi,
fui muito longe sem sequer sair
na madrugada, o assombro
na cantiga, doçura
de ninar criança
o protesto rouco
dores e lamentos
corais, botecos
Kirie, blues
"Este baião,
eu inventei pra ninar
o meu amor num berço feito
de raios de luar,
baião, oi, de ninar..."
A voz sai sem esforço
quando a canção pede
no tom conforme
o outro tom
e quando os pássaros
vêm dançar aqui
aí eu bebo o céu
em sua inteireza
Aspiro ao vôo
imito jeitos
transtorno os outros
intenciono ser
Culpa, culpa,
mea culpa,
de sonhar acordada
de gargalhar alto
de chorar à toa
de fazer sozinha
de tentar adivinhar
de ir aonde o vento me levar
agora