Solto as tranças
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
Verão
Solto as tranças
segunda-feira, 10 de maio de 2010
Brilho

Quando criança, vi de relance,
domingo, 14 de setembro de 2008
Coffea arabica
O cheiro do café
aroma de casa
conforta a gente
fora dela
Um apetite
tão prosaico
a cultura
do cafezinho
Lembra visita
xicrinhas, canecas
de ágate, pão
crocante, biscoitinhos
Lembra hospitalidade
solidária e sem pressa
amizade brejeira
com muita conversa
Bolo de fubá, pão de queijo
as delícias do lugar
goma de macaxeira
na tapioca branquinha
Que se recheia com doce
salgado, queijo, o que for
e se coloca na mesa
antevendo do outro o prazer
Se o leite for fresquinho
vai junto pra quem gosta
eu prefiro café puro
"o preto que satisfaz"
Doce se for de mãe
amargo, se tiver bolo
com canela, se for sem pressa
e forte o suficiente
Quando o fogão era de lenha
a chaleira 'quentava água
o dia inteiro no fogo
café quando ela fervia
Era um tempo sem tempo
tempo de manga, abacate,
a gente contava o tempo
pela fruta que brotava
Tempo de jabuticaba
de tomar suco de uvaia
tempo de fazer goiabada
que no pão se derretia
Com café as madrugadas
de vigília, pra estudar
pra ficar acordado até tarde
nos velórios, despertar
No acampamento, sem conforto
pro porre do dia seguinte
sempre tinha a mão amiga
que trazia o café quente
Café amargo com sorvete
se não provou não tem idéia
é bom por demais da conta
vaca preta daqui mesmo
Se a gente mede a cultura
pela arte e pelo costume
se a culinária tem charme
o cafézinho tem tudo
É negro que nem a gente
servido em qualquer lugar
bebida de alma, aquece
perfuma, consola, é lar
A frase "O preto que satisfaz" foi escrita por Gonzaguinha, cantada pelas Frenéticas e dizia respeito ao feijão, outra de nossas riquezas.
Luís da Câmara Cascudo escreveu um clássico sobre a cultura culinária brasileira. Nina Horta, que também adoro, escreve delícias...
A foto é da Pousada dos Anjos, MG, onde é servido o café da manhã no fogão à lenha, com a simpatia do Toninho e da Vania...recomendo!
The coffee's smell
house's aroma
it comforts people
when far from home
An so prosaic appetite,
our coffee culture
It remembers visits,
and little cups, mugs of ágate,
hot bread , cookies
It remembers hospitality
solidary and without haste
sympathetic friendship
with much colloquy
Corn cake ,
White cheese's bread
our home delight's
macaxeira gum
to a white tapioca
That it is stuffed with candy
salty, cheese, whethever
It's place in the table
foreseeing the other's pleasure
If milk is cold
it's good together for those who appreciate
I prefer pure coffee
" the satisfying black one"
Witn candy if comes from mother
bitter taste, if we have cake
with cinnamon, if we are not hurry
and ever sufficiently strong
When the stove age of firewood
the kettle was the entire day at the fire
keeping hot water
there was coffee, when it boiled
It was a time without time
time of mangos, avocados,
people counted the time
for the fruit that sprouted
Time of jabuticaba
to take uvaia's juice time
to make goiabada
that in the bread if it melted
With coffee the dawns
of vigil, to study
to be waked up night away
when something died, to resist
In the encampment, without comfort
To headache of the following day
it always had who friendly help
by bringing the hot coffee
Coffee bitter, taste with ice cream
if you didn't prove, doesn't have idea
is good besides the point
our coffeshake...
If people measures the culture
by the art and by the customs
if the culinary has charm
The coffee has everything
It is black like our people
served in any place
soul drink, heats it perfumes,
it consoles, it is home
domingo, 7 de setembro de 2008
Depoimento
Atendeste bem cedo ao chamado da ancestralidade
Já era escolhido, já ouvia
O que outros não
Voz doce, voz mãe, voz brejeira
Foi temperando pela vida afora
Ouvindo rádio
Deu peso e cor, experimentou, tocou, tocou...
Ainda se diverte feito menino
Quando arrebenta corda de violão
E consegue trocar enquanto canta
Fica intrigado quando faz chorar (e sempre faz)
Aos homens e mulheres
Tem saudade das ruas de terra
Terras distantes
Saudades de sei lá.
É índio
É preto
É sinhozinho e não é.
Tem proteção, viu, menino?
N.Sra. do Rosário dos Homens Pretos,
São Benedito, Santo Antoninho,
Santos do candomblé,
Nhanderu, Tupã, Ceuci,
Encantados da floresta,
Clã dos Pássaros,
Todos Erês,
Cosme, Damião, Doun
E Espíritos guardiães.
A voz
Cuida dela
É a chave.
Agradece
A graça, o presente, o benefício
De ser luz para muita escuridão
E usa a escuridão que há
Porque tudo vibra
Tudo gera (Eh, Minas!)
Sê feliz!
Este depoimento, escrito faz tempo para o pai do Antonio, chegou até ele no momento certo e nos tornou amigos. A fala da alma é sempre verdadeira.
domingo, 6 de julho de 2008
Mãe
Pra Valéria Marchesoni, que é mulher, mãe e sente saudade.