No assobio do pinhé
tem um alerta
e um chamado
Grito estridente
estremece
arrepia
Quem no solo
se vê
só, sem defesa
Vôo alto, leve,
correntes de ar quente
prenúncio de tempestade
Passarinhos ressabiados
ninhos a proteger
do predador e da chuva
Asas abertas
cabeça ereta
vôo rasante: a presa
O bico cortante,
na garra, o bicho
morto
Tufos de penas eriçadas
desaba a tempestade
mais nenhum pio
Carrapateiro, pequena ave
sinal na língua do pajé
cocar de pena rajada
Bela brutalidade
força da natureza
recordação
Pinhé grita,
respondo:
Aqui!
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segunda-feira, 30 de junho de 2008
Pele
Quem se expõe
no sudárioo corpo nú
Sem medo
do vermelho
sangue, mulher
Quem sorri,
frágil,
rara percepção
Mãos e pés
recorrentes
afeto, dor
Quem reinventa
seu andar
notando os demais
Não implora,
grita,
com seu fazer
Não pede,
surge
poder que brota
Quem
tem fé,
Fernanda
deixa marcas
onde passa:
_Evoé!
Pra Fernanda Manéa, corajosa mulher, artista plástica cuja obra assusta e faz pensar... é preciso olhar de longe e bem de perto. Mas ainda há mais, muito mais a descobrir, quando a conheces. Em exposição e no blog: http://femanea.blogspot.com
A foto é um detalhe de uma das minhas rosas.
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