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quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Modo de espera

"Estou pousado em mim
Igual que formiga
sem rumo."

Só mesmo o poeta
poderia definir assim
só mesmo o homem-terra
que vê nas águas refletido o céu
que enxerga nas minúcias
o que atropelamos

O inseto mais diligente, perdido
pode outra imagem ser tão precisa?
A angústia de ensimesmar-se
Estar em si, desencontrado do entorno
Estar além, desencontrado de si

Cada vez mais acredito
na observação como origem
das mais belas obras
A observação atenta e minuciosa,
o olhar poético, encantado, encantador,
sobre a natureza,
simples,
misteriosa,
absoluta

A natureza da qual, esquecemos,
fazemos parte
Como fazem parte do corpo
a cabeça
e o coração.

" A normalidade é assombrosa.
Sua puerícia é mesmo carne de poesia."

As citações são de Manoel de Barros e Adélia Prado, respectivamente, nas obras: Tratado Geral das Grandezas do Ínfimo e Manuscritos de Felipa. Hoje estou formiga.


domingo, 5 de outubro de 2008

Lugar


Inevitável pensar
no que o olhar

desapegado

capta


No exercício
sem trégua

de observar

sem
julgamento


Não dói
nem decepciona

é apenas constatação

do que está


Nada é definitivo

Mas surpreende

compreender, de súbito

o que já sabia

A vaidade,
o ego
Sua dinâmica
em ação



O delírio
a embriaguez

seus desatinos

de auto-importância

As bolhas
de sabão,
frágeis,
explodem


O inflado, o inflamado

dá tudo no mesmo

A loucura me interessa

A vaidade, não


It's impossible
not to think
on what the eyes
unblocked see


At the observe
exercise
without rest
nor judgement


There's no pain,
nor deception,
just the notice
of what it is


Nothing is definitive,
but surprises me
to comprehend, at last,
what I already knew

The vanity,
the egoes
its dynamic
of action


The delirium,
the drunk sensation,
the madness
of selfish


The soap
bubbles
are fragile
and explode


These bubble person,
or these who burn itself
they are the same, after all
The madness interests me
Not the vanity