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quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Modo de espera

"Estou pousado em mim
Igual que formiga
sem rumo."

Só mesmo o poeta
poderia definir assim
só mesmo o homem-terra
que vê nas águas refletido o céu
que enxerga nas minúcias
o que atropelamos

O inseto mais diligente, perdido
pode outra imagem ser tão precisa?
A angústia de ensimesmar-se
Estar em si, desencontrado do entorno
Estar além, desencontrado de si

Cada vez mais acredito
na observação como origem
das mais belas obras
A observação atenta e minuciosa,
o olhar poético, encantado, encantador,
sobre a natureza,
simples,
misteriosa,
absoluta

A natureza da qual, esquecemos,
fazemos parte
Como fazem parte do corpo
a cabeça
e o coração.

" A normalidade é assombrosa.
Sua puerícia é mesmo carne de poesia."

As citações são de Manoel de Barros e Adélia Prado, respectivamente, nas obras: Tratado Geral das Grandezas do Ínfimo e Manuscritos de Felipa. Hoje estou formiga.


sexta-feira, 13 de junho de 2008

Rotina

Continuo...
Adorando Adélia
Escolhendo meias
Esquecendo as chaves
Usando vermelho
Parando no verde!!!
Saindo de noite
Preferindo chita
Fazendo doce
Deixando pra depois
Carregando livros
Chamando os amigos
Andando sozinha
Sonhando ousar
Sendo parte do time
Tomando umas
Pensando demais
Fazendo devagar
Curtindo cantar
Ouvindo gente
Garimpando histórias
Pondo a mão na terra
Abraçando tudo
Mudando com a lua
Falando demais
Desenhando passarinho
Molhando o cabelo
Regando o jardim
Procurando desesperadamente
Um tiquinho de sol a cada dia...


Este cantinho não é o meu quintal.
Mas era um deserto e foi virando um jardim.
Fruto de trabalho, estação após estação.

Gosto de saber que ele existe e que me espera.
Reabastecer, silenciar, lidar com a terra.