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domingo, 31 de agosto de 2008

Bonsucesso


A santa se espanta
com tanta festa

com tanto barulho
em torno dela

A imagem primeira

esta, já não existe

A outra, bonita

já nasceu festeira


Muitos anos atrás
a festa era só

quermesse de gente nossa

pouco dinheiro e muita fé

De caminhão ou a pé
ia o povo pra festa
de lenço no bolso

pro suor na testa


A carpição do terreiro

era o mote de então
como pra construir casa

se fazia mutirão


Depois da lida, o padre

benzia a terra limpinha
Todo mundo guardava

da terra benta um 'cadinho


Pra saudade, febre, dores,
animal doente, plantação

Nossa Senhora da Terra
tirava tudo com a mão

Agora a terra vermelha

é que vem de caminhão

a carpição é passado

terra benta é Tradição

A quermesse, a novena,
tem muito, muito mais gente,

Tem palco, alto-falante

vendedor de cachorro-quente


A santa de vez, tem vontade
de sair pra dar uma espiada

rodar no meio do povo

fogos, catira, empolgada


Mas se contém, contrita
Coisa de santa, não é
Olha pela terra da gente
que não planta, mas tem fé

A Festa da Carpição na Igreja de N.Sra. do Bonsucesso é tradição na aldeia, há mais de duzentos anos.