A santa se espanta
com tanta festa
com tanto barulho
em torno dela
A imagem primeira
esta, já não existe
A outra, bonita
já nasceu festeira
Muitos anos atrás
a festa era só
quermesse de gente nossa
pouco dinheiro e muita fé
De caminhão ou a pé
ia o povo pra festa
de lenço no bolso
pro suor na testa
A carpição do terreiro
era o mote de então
como pra construir casa
se fazia mutirão
Depois da lida, o padre
benzia a terra limpinha
Todo mundo guardava
da terra benta um 'cadinho
Pra saudade, febre, dores,
animal doente, plantação
Nossa Senhora da Terra
tirava tudo com a mão
Agora a terra vermelha
é que vem de caminhão
a carpição é passado
terra benta é Tradição
A quermesse, a novena,
tem muito, muito mais gente,
Tem palco, alto-falante
vendedor de cachorro-quente
A santa de vez, tem vontade
de sair pra dar uma espiada
rodar no meio do povo
fogos, catira, empolgada
Mas se contém, contrita
Coisa de santa, não é
Olha pela terra da gente
que não planta, mas tem fé
A Festa da Carpição na Igreja de N.Sra. do Bonsucesso é tradição na aldeia, há mais de duzentos anos.