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segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Tempero da vida



Por que é que o doce
pra ser melhor
tem que ter uma pitada
do sal do mar?

por que o ácido
misturado ao doce

cria sabores além


e o açúcar moreno

tem sabor da terra
quando chove chuva fina?


Por que será

que o jasmim manga
cheira tanto...
(por que será que guardo um deles,
seco, sem odor?)


que o pau casca
de canela
dá sabor
e o gengibre cura,
tem alma?

se o mel
vem
da entranha
do inseto,
espesso


se a semente
da pimenta
é que faz o ardido


se a essencia
guarda o espírito das ervas

se eu nem sei
quando dói,
o doce que eu quero mais...
pão de ló da vó Kita,
queijo com goiabada,

cocada mole,
o strudel trabalhoso,

o sonho,

o sonho,
o sonho...


"o coração amolecido como figo na calda"


A frase entre aspas é do poema Chorinho Doce,de Adélia Prado, eterna inspiração. O título é de um filme franco-grego, lindo e imprescindível...

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Exercício

O perdão bateu à porta
Abriu as comportas
cessou as intrigas

O perdão pediu passagem
a quem não pede desculpas
fez chorar, fez sentido,
fez refletir, o perdão

Derrubou o muro alto
que separava dois mundos
que isolava a palavra
e perpetuava o não

Desculpar é tarefa
para uma vida inteira
martelar o ferro em brasa
até domar a matéria

É exercício sem trégua
como o é pedir perdão
os dois lados envolvidos
sempre com suas razões

Nem vale fingir,
ignorar a dor funda
o perdão pede a verdade
sem a qual nada desperta

quem não perdoa, mata
o que em potencial
poderia ser, não é
mas tem chance, se puder

o perdão pediu licença
e desmanchou em água e sal
duas almas que se viram
sem parede, cerca ou não