Mostrando postagens com marcador noite. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador noite. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Serenata


É normal que as coisas saiam do controle
É normal, tento me convencer, que as coisas saiam do controle
Senão o que explicaria
a peça no forno entortar
a agulha furar o dedo
o bolo desandar...

Todas as pequeninas coisas
que parecem ter vida própria
(artes do fogo, do ar...)
lembram a fantasia infantil:
_Quando a gente está dormindo, tudo conversa,
tudo se move e brinca e dá risada,
o fogão, os brinquedos, as xícaras e a prateleira.
Pessoinhas saem dos livros e passeiam pela casa,
que nem naquele filme do museu, sabe?

Dito assim, parecem artes noturnas (coisa de Saci)
sumirem agulhas, dedais,
mudarem-se os livros das estantes
e pra debaixo da cama ir parar
o anel que tu me destes.

Escapam do frágil controle que fingimos ter
as auroras, os vendavais,
as teias prateadas das aranhas
e a lua nova que teima em brilhar
trazendo a música que invade os dormitórios.

Como controlar
a mão do poeta que procura um verso
a voz de mulher, que é capaz de criar mundos no mundo,
o alarido dos amigos que se encontram?

Que bom que as coisas saem do controle,
ainda bem!

A expressão em itálico refere-se a canção "Livros", de Caetano Veloso.
O bordado mágico da foto foi feito pela Trudy, índia colombiana com nome alemão!

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Perneta



O Saci esteve conosco
brincando na tarde quente
circulou até de noite
no sobrado secular

Todos viramos meninos
de novo a nos assombrar
com as histórias de susto e morte
e algumas de gargalhar

Batendo os pés no terreiro,
pra todo mal espantar
catira, ciranda em roda
consagramos o lugar

Salve Dedé, a guerreira
que carregou o negrinho
pra dentro da nossa vida
Salve Bosco, o visionário
que abriu suas portas
pro quintal da nossa infância

Salve, amigos queridos
uma vez mais, o Saci
teimoso que é

desafiou as bruxas
enganou a Morte
resistiu!

A Festa do Saci existe há 4 anos, mas há 6, a querida amiga Débora Kikuti iniciou a cruzada para fazer do nosso neguinho uma unanimidade, em lugar das abóboras do capitalismo selvagem... Este ano foi especialmente importante, pois teve a participação de muitos outros, trazendo sua contribuição com diversas manifestações da cultura popular brasileira, no solar centenário da Casa dos Cordéis.
A foto é do fogão de lenha da dona Candinha, antes da reforma...

sábado, 27 de setembro de 2008

Noite


Boiúna,
a Cobra-Grande
é a Mãe das Cobras
entre os Povos da Floresta

Não só indígenas
Mas todos os ribeirinhos
Ela guarda os segredos da Noite
Da Grande Noite Anterior ao Tempo

Ela doou a Noite aos homens
Para que descansassem
A pedido de sua filha
Que de um deles se enamorou

Boiúna é a Mãe da Coragem
Pune os incautos que sem honrá-la,
vão ao rio
e a acordam
na profundeza escura
das águas amazônicas

Boiúna,
The Great Snake
is the Mother's Snakes
between the RainForest People

Not only between the indigenous ones
but also the other people that lives in there
She keeps hide the secrets of the Night
The Great Night, before the Time

She has given the Night to the men
As a time to rest theirselves
To atend a claim of her daughter
That was in love to one of them

Boiúna is the Courage's Mother
She punish the imprudents
That go to the river, without honor her
To wake up her
at the deep darkness of amazonian water