Lá vai a garça voando,
batendo papo na areia,
Me leva contigo, garça,
Me tira de terra aleia, ai, ai...
De vez em quando a poesia
que faz morada na gente
Cisma de sair voando
pras bandas de seiláeu...
Então, a gente que vive
tão ocupado, com pressa
de viver maomenamente
Se apercebe que viver
é tamém catar poesia
este piolho danado
que se esparrama de banda
se os dedos querem garrar
Daí a gente desprende
do ofício mais ordinário
de arear panela, secar chão,
bater prego, comprar bugiganga
E dana a olhar pro céu (meu amor!)
que fica lindo na invernagem...
Espiar na ilha, a árvore
coalhada de garça branca
(e alguns biguás)
faz duvidar da importancia
da gente, tão pequeninha
diante de aguada tão bela
que tinge todas as coisas
Como os meninos no pasto
Correr, descalço na terra
do tododia esquecido
é de muita precisão
Faz da gente suburbano
e feliz de novo,
Amém
Olha pro céu, meu amor é um dos versos do Véi Lua, Gonzagão, que ficam lindos na voz da Ceumar, moça encantada.
Os versos do início foram recolhidos de cantigas populares por Villa Lobos, assim me contou um dia, Gisele Cruz.