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quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Confessores de sonhos



Educadores são seres que compartilham
que repartem o próprio pão
Quem não se lembra de um só
que mudou o rumo de seu pensar?

Muitos de meus amigos
são professores
muitos, educadores
mesmo sem graduação

Companheiros na luta
de fazer chegar ao outro
a informação, e sobretudo
a formação, o caráter

Alguns na labuta diária
outros no exercício da arte
Todos em prol do comum
esquecendo de si, por vezes

Professor aprende ensinando
Como dizia o João
Desejo alegrias a todos
que possam seguir sonhando

Na dificuldade do cipó das sete
no estudo constante, livros
no ouvido pensante, concha
no ato da doação

O João a que me refiro é Guimarães Rosa.

terça-feira, 10 de junho de 2008

Yaguarê


Yaguarê me chama mana.
Pergunta sempre: _ Por que?
Seja qual for o assunto
E ri quando eu respondo:
_ Não faz pergunta difícil...
Tenho orgulho dele.
Porque é preciso coragem
Pra vencer a morte
Pra sobreviver na cidade
Pra fazer suas escolhas
Pra voltar para a aldeia
Pra continuar escrevendo sua história
Yaguarê me deu o nome que uso aqui
Ypohiketé é flor, uma flor amazônica
É nome de mulher.
É meu batismo indígena.
É o presente do meu amigo,
escrito faz muito tempo,
mas que só hoje eu entendi...
Puxa, mano, obrigada.

Yaguarê Yamã é indígena da etnia Saterê-Mawé, do Amazonas.
Formou-se geógrafo em São Paulo, casou-se, teve filhos e voltou para casa.
Hoje é professor, líder comunitário e escritor.

Tem cinco livros publicados: Purãtig, o remo sagrado, Sehay Ka'at Haria -O caçador de histórias, Urotópiag - A religião dos pajés e dos espíritos da selva, Murugawa - Contos, mitos e fábulas do povo e Sehaypóri - o livro sagrado do povo Saterê-Mawé. Com seu silêncio, ensinou muitas coisas que eu não sabia.