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domingo, 8 de junho de 2008

Banzo

Só tendo sabença de quem foi menino, sendo gente
Pra lembrar que deu topada, limpou co'a mão

e despencou correr ladeira abaixo...

Só sendo quem provou laranja de fazer doce,

fingindo que achava bom o amargo,
pra se gabar

Quem comeu içá torrada

na brasa do fogão de lenha

(Batata-doce e pinhão, todo mundo come!)

Catou girino no remanso, com peneira

criando até virar sapinho e ganhar nome

Poronga e bucha na cerca, coisa de Jesuína

Laranja bahia, cascada sem rebentar

as cascas secando no varal, prá acender fogo

Sempre bão de ver, o fogo nas foia do quintar

de terra varrida, lisinha, lisinha - eh, fumacê!

Garrou correr com os cachorros:

Diana, Scôtt e Valente

Escondeu de mãe nos galhos da jaboticabeira

que o grito dela sacudia

e amadureciam meninas - ploft!

Só tendo sabença de quem viveu

Pegar escondido o pito do bisavô

ficar co'a mão cheirando ruim

e ter que ouvir:

_ Co's diacho!!!

Ver vó benzer criança de colo

com murmúrios e Salve Rainhas

Deitar debaixo do abacateiro, sombra boa

depois virar a roupa do avesso

pra esconder os verde

Só quem remexeu nas revistas do tio

e ficou encantado:

um mundo de tanta figura!

Correu atrás de galinha,

correu de medo dos gansos

Riu de Pedro Malasartes

Teve medo de defunto

Só quem viu, sabença de que,
sendo gente, pode alembrar pra contar
Quem estudou pra falar certo
e usar direito o diminutivo
É só lembrar do sotaque,
botar um arrasto nos erre
e cantar falando: miudim, pertim, mininim
porrrrrrrrrtão, porrrta, porrrteira,

Pronto! Cê tá lá, rapidim!


A foto foi feita na Pousada dos Anjos - MG.