Mostrando postagens com marcador família. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador família. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

De morar




Ô, beija flor,
toma conta do jardim

Vai buscar Nossa Senhora
pra tomar conta de mim...

Sinhá Rainha,
Tua casa cheira
Cheira cravo e rosa
e flor de laranjeira

Ô, beija flor
toma conta do jardim
Vai buscar Nossa Senhora
pra tomar conta de mim...

Levei pro Rosário
um galho de manjericão
E ofereci pra santa
junto com o meu coração

A casa se renova
para novos habitantes
crescemos
já não cabemos nela

Estamos mais sábios
ainda inquietos
em busca de espaço
para a criação

a mesa, o pão
a tela, o bordado
o som, a cantiga
a flor, a união

começa agora
um novo tempo
novas sementes
a germinar

Benedito, Do Rosário,
Francisco, Antoninho,
Miguel e os anjos
sejam bem vindos...

Depois de longo tempo, volto aqui...
Às vezes a noite escura da alma é mais longa... mas o dia prevalece.
A canção inicial é tradicional de Minas Gerais, em louvor à Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, que pode ser ouvida em linda versão com Déa Trancoso, no cd "Tum, tum, tum".
A foto é da Maria sem vergonha, abundante por aqui... Impatiens, para os botânicos, por causa das sementes que explodem ao toque.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Herança


Senhora do Rosário foi quem me trouxe aqui
Senhora do Rosário foi quem me trouxe aqui
A água do mar é boa
Eu vi, eu vi, eu vi...


Da mãe o nome e a madrinha
Do pai o humor e o ritmo
Da vó a narrativa e a magia
Do vô a força e a teimosia

Doutra vó a dureza
Do voinho a doçura
Das tias a alegria
Dos tios a tolerância

Perceber o que ficou...
da convivência com o outro
evitar cachorro brabo
saber o gosto da cana
sonhar com quem vai chegar
saber ouvir sem falar
escutar os passarinhos
cantar, cantar, cantar

Tudo são versos que escuto,
vêm dela,
pois minha mãe é minha voz

como será que isto era
este som
que hoje sim, gera sóis
dói em nós...



I´ve got
from my mother
the name and the godmother
from my father
the rythm and humour
from grandma, the magic and many narratives
from grandpa, the strenght and obstinacy

I´ve got
from the other grandma, the hardness
from the other grandpa, the sweetnes
from the aunts, the joy
from the uncles, the tolerance


To perceive what remained
from the living with each other
to avoid the mad dogs
to know from sugarcane, the flavour
to dream with the next visitor
to know how to talk without speak
listening to the birds
and to sing, sing, sing



A primeira estrofe em itálico é da canção popular mineira em louvor à padroeira dos escravos. A estrofe que fecha o texto é da canção Genipapo Absoluto, de Caetano Veloso.
Foto tirada na casa da dona Candinha.